Ao adentrar pela primeira vez o terreno que abrigaria a Casa Macana, fomos imediatamente capturados pela grandiosidade do cenário que se revelava ao final de um singelo beco. A visão das encostas do Tepozteco emergia como um quadro natural, suas linhas e texturas convocando o olhar a se perder em contemplação. Desde aquele instante inaugural, compreendemos que tais formações montanhosas, inconfundíveis na região, deveriam se erguer como protagonistas silenciosas deste projeto arquitetônico. Nossa missão tornou-se clara: assegurar que cada espaço desta habitação, seja ele de convívio ou de recolhimento, pudesse desfrutar desta vista sem igual.
Assim, a casa se ergue em um sutil diálogo com seu entorno, fechando-se para os acessos e becos, enquanto, por meio de uma cerimônia de filtros espaciais, revela aos poucos a majestade do Tepozteco, que surge, enfim, como uma pintura emoldurada pela arquitetura. A configuração em forma de "L" não apenas organiza os espaços de maneira funcional, mas também os dispõe em uma coreografia contemplativa: um corredor acolhe os quartos de hóspedes, enquanto o volume principal da residência se abre generosamente para o morro. Neste bloco, encontram-se os espaços comuns — salas, refeitórios, cozinha, escritórios, sala de yoga e quartos — todos eles voltados para a vista arrebatadora.
Construir em um cenário de geografia tão imponente nos conduziu a escolhas que integrassem a edificação ao seu entorno natural. Optamos então por materiais locais, como pedra e terra, e desenvolvemos uma mistura de concreto pigmentado em tons ocres, extraídos do solo circundante, permitindo que os volumes arquitetônicos se fundissem visualmente com a paisagem. O muro perimetral, feito em pedra, reforça ainda mais essa integração, conferindo à casa a aparência de emergir da própria terra, em um abraço delicado do morro e dos limites do terreno.
Desde o princípio, o cliente expressou o desejo por uma residência introspectiva, quase monástica. Inspirados pelo convento nas proximidades do centro de Tepoztlán, exploramos a potência do silêncio arquitetônico como ferramenta de projeto. Assim, os corredores superiores evocam percursos tranquilos, alimentando os espaços com uma dança de luz e sombra, convidando à contemplação. No que tange ao sistema construtivo, empregamos muros de pedra e alvenaria, revestidos com misturas pigmentadas em tons terrosos, bem como concreto aparente que ecoa a paleta cromática do entorno.
Desde nossa primeira visita ao local, tornou-se evidente que as terras, outrora dedicadas ao cultivo, adquiriam, durante a estação seca, uma tonalidade ocre singular. Essa terra tornou-se o ponto de partida para definir o caráter material da casa: uma arquitetura que emerge da paisagem e se entrelaça a ela em um diálogo harmonioso e respeitoso, onde o humano e o natural se encontram em perfeita sintonia.